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Matéria da Revista História Biblioteca nacional
O interesse público no privado
Historiador e autor de textos biográficos, professor Ronaldo Vainfas afirma que a biografia 'é um gênero essencial da história': 'a dimensão individual é chave no processo histórico'
Ronaldo Vainfas - É uma polêmica que envolve não só questões metodológicas da história, mas também ética, vaidades, interesses financeiros etc. Acho que uma linha demarcarcatória razoável residiria na circunstância do biografado estar vivo ou morto. Biografias de personagens vivos - artistas, políticos ou seja quem for - estão quase sempre vocacionadas a distorcer a história. Isto pelo simples fato de que a biografia só pode ser feita e publicada no caso de o biografado aprovar o texto e facilitar o trabalho do biógrafo. Aliás, não raro o biografado só facilita a documentação se a biografia for laudatória. Caso o biógrafo escreva algo que o biografado não quer ver exposto, censura o texto ou processa o biógrafo.
Ronaldo Vainfas - Antes de tudo, biografia e vida privada não são sinônimos, em especial no caso dos grandes personagens históricos em qualquer campo da vida social - políticos, militares, cientistas, artistas etc. O peso de certos personagens em determinada época já os torna públicos. A vida privada deles interessa, é claro, porque ninguém é só "público", as questões pessoais e íntimas jogam papel importante nas escolhas desses indivíduos. De modo que a biografia é um gênero essencial da história. Por que fazer biografias? Porque a dimensão individual é chave no processo histórico. Seria possível compreender o nazismo sem estudar Hitler? O fascismo sem estudar Mussolini? A Revolução Francesa sem Robespierre ou Napoleão? Não quero com isso dizer que são os grandes líderes que explicam o movimento histórico, mas frisar que o estudo dos protagonistas permite compreender melhor o processo geral. Isto vale também para personagens de segundo escalão ou mesmo para personagens quase anônimos. A micro-história, por exemplo, tem dado grande contribuição neste campo. Basta citar o clássico de Ginzburg sobre o moleiro friuliano do século XVI, o hoje famoso Menochio. Ficou famoso pelo estudo do Ginzburg, porque jamais integrou o panteão dos "heróis" italianos.
Ronaldo Vainfas - Creio que a ascensão da biografia, enquanto gênero, veio com o historicismo do século XIX. Embora o historicismo tenha dado enorme contribuição para a pesquisa histórica (e isto até hoje vale), o fato é que muitos autores daquele tempo sobrevalorizavam o papel do indivíduo, sobretudo dos grandes personagens, além de limitarem os estudos biográficos aos grandes personagens, transformados em heróis. A biografia só entrou em crise na primeira metade do século XX, mesmo assim restrita ao campo dos historiadores. Um pouco pela influência do marxismo, que sempre valorizou os processos coletivos, movidos pela dinâmica da economia, e desprezou a dimensão individual. Outro tanto pela repercussão do movimento dos Annales, que defendeu uma história interdisciplinar e problematizadora dos processos sociais. Fez pouco caso da política, identificada ao historicismo, e isto arranhou o prestígio acadêmico das biografias. Um bom exemplo do ceticismo acadêmico em relação à biografia está no texto do sociólogo Pierre Bourdieu, que até hoje tem repercussão, "A ilusão biográfica" (1986). Trata-se de uma crítica frontal à tendência que ele vê nos biógrafos a reconstruir a vida dos biografados buscando uma coerência linear, por vezes destacando traços da família ou da infância do indivíduo que marcariam sua trajetória posterior. Bourdieu tem alguma razão nesta crítica ao raciocínio teleológico de muitos biógrafos, seja os que enaltecem, sejam os que detratam os biografados. Mas ele exagerou. Entre os historiadores profissionais esta atitude ingênua foi superada faz tempo. As imprevisibilidades, as circunstâncias do momento, o acaso, enfim, são hoje muito valorizados. Até o raciocínio contrafatual ou a simples conjectura, devidamente embasada, pode ter valor neste caso.Amor e Fúria
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Tudo, algum dia, há de se transpor: Fúria é desejo, agressividade, paixão, impetuosidade... Raiva é ódio, rancor, mágoa, decepção...Fúria é perseverança, fé, indignação. |
Ninguém pode parar a fúria de um homem e é através dela que podemos transformar.
A raiva é burra, cega e covarde e envenena.
Fúria é coragem, força... É luta!
No coração de todo homem não pode faltar amor e fúria... Transgredir é fúria... E sigo de espada, escudo, sobre o meu cavalo, contra o vento pelo mundo fazendo o meu tempo.
A maior capacidade que o ser humano pode ter é a de se enfurecer e reagir.
Eu quero a fúria na ponta da pena na forma mais eficaz de atingir corações e mentes...
Podemos contar a mesma história de muitas formas ou fazer a mesma, de uma forma só, com amor e fúria. Tudo, algum dia, há de se transpor: Fúria é desejo, agressividade, paixão, impetuosidade...
Raiva é ódio, rancor, mágoa, decepção...
Fúria é perseverança, fé, indignação.
Ninguém pode parar a fúria de um homem e é através dela que podemos transformar.
A raiva é burra, cega e covarde e envenena.
Fúria é coragem, força... É luta!
No coração de todo homem não pode faltar amor e fúria... Transgredir é fúria... E sigo de espada, escudo, sobre o meu cavalo, contra o vento pelo mundo fazendo o meu tempo.
A maior capacidade que o ser humano pode ter é a de se enfurecer e reagir.
Eu quero a fúria na ponta da pena na forma mais eficaz de atingir corações e mentes...
Podemos contar a mesma história de muitas formas ou fazer a mesma, de uma forma só, com amor e fúria.
Alexandre Lima

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